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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Mande a Sua! - Questionamentos 2

LEU? GOSTOU? COMPARTILHE!
Nesta série Questionamentos estou postando e-mails recebidos com assuntos interessantes. Este veio da Malu (maluccat@bol.com.br).
Ela curtiu este texto que lhe fora enviado pela amiga Rafaela Guimarães. E resolveu compartilhar conosco. É um desses e-mails que circulam na Net. Mas vejam o conteúdo!
Malu, minha Branca, obrigado pela colaboração...
Aqui a sua postagem!

(Expedito, repasso como recebi da amiga Manuela Guimarães.  MERECE SER LIDO E ANALISADO! - Malu)

Politicamente Correto, quanta bobagem!...
ou
O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA
    Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto!  Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais 'O cravo brigou com a rosa'. A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa/ debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".

    Que diabos é isso? O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha!  Será que esses doidos sabem que 'O cravo brigou com a rosa' faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro?
    ...é Villa Lobos, cacete!

    Outra música infantil que mudou de letra foi 'Samba Lelê'. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: Samba Lelê tá doente/ Tá com a cabeça quebrada/ Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas. A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê. A tia do maternal agora ensina assim: Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/  Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar.

    Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca! Os amigos sabem de quem é  Samba Lelê? Villa Lobos de novo! Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, de Heitor Villa Lobos e Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz...
 Comunico também que não se pode mais 'atirar o pau no gato', já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichinhos! Quem entra na roda dança, nos dias atuais, não pode mais ter 'sete namorados' para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil. Ninguém mais é pobre ou rico de 'marré-de-si', para não despertar na garotada o sentido da desigualdade social entre os homens.
   Dia desses alguém (não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda) foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado...
Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato,  era vista como coisa de viado. Eu imagino se meu tataravô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse, em mil novecentos e setenta e poucos, que algum filho estava 'militando na causa da preservação do mico leão dourado, em defesa das bromélias' ou coisa que o valha. Bicha louca!- diria o velho...

    Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular 'pintor de roda-pé' ou 'leão de chácara de baile infantil' - de deficiente vertical . O crioulo - vulgo 'picolé de asfalto' ou 'bola sete' (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente. O branquelo - o famoso 'branco azedo' ou 'Omo total' - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação mais evidente. A mulher feia - aquela que 'nasceu pelo avesso', a 'soldado do quinto batalhão de artilharia pesada', também conhecida como o 'rascunho do mapa do inferno' - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade. O gordo - outrora conhecido como 'rolha de poço', 'chupeta do Vesúvio', 'Orca, baleia assassina' e 'bujão' - é o cidadão que está fora do peso ideal. O magricela não pode ser chamado de 'morto de fome', 'pau de virar tripa' e 'Olívia Palito'. O careca não é mais o 'aeroporto de mosquito', 'tobogã de piolho' e nem 'pouca telha'...

    Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho. Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Não dá! O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil!

    Falei em velho Bach e me lembrei de outra. A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso 'pé na cova',  aquele que 'dobrou o Cabo da Boa Esperança', o 'cliente do seguro funeral', o popular 'tá mais pra lá do que pra cá',  já tem motivos para sorrir na beira da sepultura. A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".

    Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde. Defuntos? Não. Seremos os 'inquilinos do condomínio Cidade do Pé Junto'...
PS: Recebido da Malu depois da postagem feita
"Expedito, recebi o texto e te enviei para que postasse aí. Não havia referência à fonte do mesmo. Mas depois, pesquisando no Google, encontrei o autor. É Luiz Antonio Simas, que é professor de história e tem este blog: http://hisbrasileiras.blogspot.com.  Acrescente por favor...         
Popular a partir de 06/02/2011
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