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sábado, 9 de agosto de 2014

Uma Ilha Perdida

Estou aqui, ditando lentamente essas frases,
espero que quem as escreva saiba decifrar:
já não sei de crases, nem de entrementes,
nada sei de entretantos, já não sei mais nada...

Nada a declarar! - poderia dizer simplesmente.
Mas, finalmente me sinto  frágil e dependente,
neste instante me recolho à insignificância.
Jogo, então, a toalha antes que desistam de mim.

Sim, só quem entende a doença pode testemunhar.
Aqui nesta cadeira, tanto faz que tenha rodas,
Não vou a lugar nenhum, a praia ficou distante.
recebo achincalhes por não ter mais paciência.

O telefone não toca, todos se foram de repente.
A viagem que faço é desde a minha infância,
na memória já cansada, sem tantos detalhes.
Eis que estanco o pranto, pois sou do tempo antigo...

Homem é foda, homem não chora, que asneira!
Mas a cada amanhecer me sinto mais destoado.
Sempre fui solitário, uma ilha, era o que eu era,
no meio do nada com tudo para compreender...

Passavam as estações, as horas e eu, no entanto,
não sentia o atestado do tempo em mim acontecer.
Um dia, porém, tudo mudou e assim tão imediato:
Se o destino existe ele deu as caras de repente!

Eu já não sentia mais um lado do meu corpo,
a cada ato eu me via mais tolo e impotente,
o andar torto e descabido já me denunciava.
Eu não sei como tudo começou, só aquele final.

Era de grande escala o ataque à minha pessoa,
De onde vinha a bala, se não ouvi o estampido?
Mas ressoa no ouvido uma a fala: viu só, eu avisei!
Estou assim como um vagão meio fora do trilho.

Não sei a quem apelar, nem bem sei como agir,
a língua não tem freio e machuco as pessoas,
sei que não tenho cara de muitos amores, enfim!
Repito: sinto-me uma ilha, cercada de dores...

Se tenho filhos eles se foram, fugiram de mim.
O trem tá feio, por todos os lados a vida se esvai.
Estes evitam me olhar, os outros foram embora.
A hora da partilha chegou e o que vou oferecer?

Um número especial de mágica como surpresa,
um coração combalido e vazio prestes a parar;
um dia por terminar e a incerteza de uma aurora...
ou a tristeza por descobrir que nunca fui um Pai?!!

Autor: Expedito Gonçalves Dias (Profex)
Escrito Em 09/08/2014-Varginha-MG, Às 20:39h
Volte Sempre!
Ilustração: Google Images
(Respeite Os Direitos Autorais)

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14 comentários:

Malu Silva disse...

Um poema triste, fatídico e com endereço certo!

Um beijinho, Pepê!

Expedito Gonçalves Dias disse...

Malu: muitos endereços certos! Quantos pais se encontram nesta situação. Ilhados e sem perspectivas. Família completa, unida, só com saúde.
A doença afasta todos. Faz parte da "humanidade".
Na saúde e na doença é uma utopia a mais...

SOLIDARIEDADE disse...

Lembra aquela canção do Simon and Garfunkel que tinha como refrão:

"...a rock feels no pain and a island never cry."

É a marcha do destino.

Vento disse...

a vida acontece à velocidade da luz
acordamos o Sol ainda mal nasceu e daí a pouco já é noite
corremos o dia inteiro, nossos filhos correm mais que nós, nossos netos quase não têm tempo para ver seus pais
sei o que nos queres dizer, meu amigo
olha, hoje te deixo um abraço, mas eu volto amanhã cedinho, prometo, para dizer-te bom dia e tomar cafézinho contigo, rss.
[estou brincando, não te importas pois não? :)]
tem uma noite tranquila amigo.

Expedito Gonçalves Dias disse...

SOLIDARIEDADE:> O destino... quem sabe ao certo o que é? De repente nos deparamos com um muro. Um muro é um destino? Nos deparamos com a doença. A doença é o destino? É para isso que viemos ao mundo? Independente de todas essas questões, o que eu quis colocar aqui é a questão dos filhos X pais. Qual filho está preparado para cuidar de um pai. Numa família com 5 filhos, quantos vão querer cuidar de um pai?
A velhice e a doença rompem com todos os laços de família. É algo mais complexo do que esperamos ou podemos pensar...
E vejo muitos país e filhos nessa situação. Não é a minha, mas neste Dia dos Pais, quis fazer uma abordagem diferente, que quase ninguém faz, sobre este assunto.
Abraços!

Expedito Gonçalves Dias disse...

VENTO:> Mais ou menos por aí. Quando existe o tempo para o cafezinho ainda falta a disponibilidade, a vontade dos filhos...
Quanto ao cafezinho, ele estará quentinho...
Abraços!

Vento disse...

esta coisa de paisXfilhos é muito complicada de comentar, tanto na qualidade de pai como na qualidade de filho, cada caso é um caso em cada pai/mãe, em cada filho, em cada família
quando fragilizamos o chão foge num segundo, parece que todos nos abandonaram, sabe porquê? porque a vida inteira damos e nos doamos sem impor condições [e é assim que deve sempre ser] e à nossa volta todos se habituam a olhar-nos como aquele pilar eterno que nunca vai desmoronar, e só esse pilar sabe dos segredos doídos que esconde nas entranhas para que ninguém se inquiete
é por isso que inconscientemente os nossos meninos, a par da falta de tempo, pensam sempre: ele/ela são invenciveis, logo logo tudo vai ficar bem... ;)

Expedito, não foi por ser mulher que me atrasei na hora do café rs.., é que me perdi nas voltas da casa...
obrigada por tê-lo mantido quentinho :))
abraço amigo.

Dalva Rodrigues disse...

Olá! Tenho pensado muito nisso nisso, no cuidado, no zelo para com as pessoas que amamos...To cuidando do cachorrinho que era de meu pai há 3 anos, é como se ainda estivesse zelando pelo meu pai...Tenho medo...Não temo a morte, mas temo ir com a incerteza de que um dia não estarei aqui e talvez meu filho precise de mim...
Filhos que não se apegam aos pais, pais que não se apegam aos filhos...triste.

Muito sensível esta postagem, abraço.

EU disse...

Obg por ter estado no meu singelo espaço. Ainda não tinha vindo devido ao tempo que as obras em casa me tomaram.
Percorri os vários blogues. Penso que este é que é só de você. Li várias postagens. Gostei imenso. Prendeu-me este poema pelo conteúdo e aborgagem que fez a respeito da temática. Tentarei ser presente no espaço.
Vou ficar seguidora para receber as atualizações das postagens.
Bjo :)

Expedito Gonçalves Dias disse...

Dalva:> Realmente esses assuntos não são tratados de forma mais comum, apesar de fazerem parte da vida de todos. É uma maneira de refletirmos sobre nossas fragilidades e ações...
Abraços, obrigado pela visita.

Expedito Gonçalves Dias disse...

EU:> Obrigado pelo comentário, Odete. Esteja sim, sempre presente por aqui, seja bem-vinda. Abraços!

Juan Antonio Torron Castro disse...

Buenas Fiestas y Muy Feliz Año 2015

Saludos afectuosos.-

claudiasuzane argentaaraujo disse...

Poema triste, de quem se julga finito, sem oportunidades futuras. Mas no universo perfeito, Deus na sua justiça, permite através do livre-arbítrio uma plantação livre, mas colheita obrigatória. A cada dia no pôr-do-sol, perceba a beleza da vida, porque o céu e o inferno estão dentro dos olhos, uns só enchergam demônios, outro luz, a opção é sua. Muita luz e paz amigo.

Sensibilidade a navegar com poesias disse...

Quanto mais a gente se isola de amigos, da família mais só ficamos, temos que entender que cada pessoa é uma, mas sei também que não podemos desistir de viver pq as coisas não nos parecem bem, todos nós temos problemas, e cada qual tem que resolver da melhor forma, o lema é VIVA e deixe viver...parabéns pelo Blog, pelo espaço...

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